De Gucci e Louis Vuitton à sua carreira.

Eu não sei você, mas eu sou uma investidora de bolsa. Não daquelas bolsas maravilhosas da Gucci ou da Louis Vuitton, mas da bolsa de valores mesmo.

Eu gosto de ser acionista de boas empresas e de bons fundos imobiliários (adoro receber os meus aluguéis), mas, confesso pra você, não é fácil.

Já ??perdi? mais do que algumas bolsas grifadas nesses últimos meses. ??Perdi?, entre aspas, ressalto, porque eu não me desfiz das minhas ações e das minhas cotas de fundos, por mais que o meu patrimônio tenha acompanhado a queda livre do mercado.

Apesar da minha ansiedade crônica, sei que o meu comportamento em relação aos meus investimentos é uma exceção, porque eu não deixo ela me dominar. Para a maioria das pessoas, entretanto, a coisa não funciona assim: é a emoção (e tão somente ela) quem dita as regas do jogo.

No auge da pandemia, foi ainda pior. O desespero foi tanto que muitos venderam uma Gucci pelo valor de uma bolsa de couro falsificado da feira, se é que você me entende.

O maior impulsionador desse comportamento? O medo enorme de perder ainda mais. Nós, seres humanos, temos verdadeira aversão ao risco.

A analogia perfeita com a sua carreira.         

Existe uma correlação direta entre o comportamento dos investidores de bolsa e o comportamento dos profissionais no mercado de trabalho, já reparou?

O motivo é simples: Somos todos seres humanos, afinal. E seres humanos, como eu falei, têm o medo da perda como emoção primária e tendem a se deixar guiar por ela sempre que o assunto é assumir algum risco na vida, por menor que ele seja.

Acontece que, tal como no mercado financeiro, a vida premia mais aquele que assume mais riscos, embora calculados, mesmo que, no curto prazo, exista uma falsa ideia de segurança e estabilidade.           

? que, alinhada ao risco, a recompensa também costuma ser mais generosa e polpuda para aquele que foi mais paciente, mais disciplinado e mais inteligente emocionalmente ao longo do tempo, principalmente em momentos de muito estresse e pessimismo.

Em síntese: ganha mais quem arrisca um pouco mais, mas sabendo o que está fazendo e, sobretudo, o porquê está fazendo, pois é a clareza do porquê que te mantém no foco, mesmo quando todos os outros começam a desistir.

 

A irracionalidade gera arrependimento.

Quem vendeu ações por desespero, no auge da pandemia, deixou de pegar uma recuperação imensa que se deu logo em seguida. Quem, mais uma vez, está se deixando guiar apenas pela emoção nesse momento, vendendo a preço de banana ativos cujos fundamentos não foram abalados, também poderá colher os resultados amargos do arrependimento lá na frente.

Como no mercado financeiro, nossas decisões de carreira são muitas vezes puramente emocionais e irracionais, guiadas apenas pelo medo de perder.

O medo de ficar pobre, aliás, é hoje o equivalente ao medo de ser devorado por um animal selvagem na época do homem primitivo.

Nós, seres humanos, morremos de medo de não termos dinheiro.

 

O paradoxo.

Paradoxalmente, o medo da perda nos trava naquilo que poderia justamente nos ajudar a ganhar mais, caso assumíssemos mais riscos calculados e agíssemos com um pouco mais de racionalidade diante das situações que se apresentam pra gente.

Se você não arrisca nada, você também não aprende, não muda e não ganha nada.

??Mas eu também não perco nada?, você pode me dizer.

Será que não perde mesmo?

Essa é a reflexão que eu te convido a fazer agora.

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