Não adiar uma felicidade é também saber esperar.

Uma criança recebe um marshmallow e uma instrução clara: pode comer o doce imediatamente ou esperar mais 15 minutos para comer dois doces depois. O que ela vai fazer? E o que sua decisão diz sobre seu comportamento no futuro? Foi com base no consagrado Teste do Marshmallow, idealizado por Walter Mischel, na década de 1970, que surgiu uma das melhores explicações sobre como a habilidade de adiar uma gratificação é fundamental para uma vida de sucesso, tendo impactos, inclusive, no estilo de vida e na autoestima daquele que, mesmo tentado às delícias do prazer imediato, consegue vislumbrar um ganho futuro ainda melhor. O estudo prosseguiu 14 anos após essa etapa, evidenciando um fato interessante: as crianças que esperaram e ganharam 2 marshmallows, além de demonstrarem mais controle sobre o impulso e o sistema de recompensas, obtiveram maior êxito no seu desempenho acadêmico e profissional do que aquelas que não aguentaram a espera e que, portanto, comeram o marshmallow antes dos 15 minutos combinados. Ganhou mais quem esperou. No entanto, cá entre nós: que tarefa mais difícil essa, não é mesmo? Esperar…

O que não é nada difícil, entretanto, é constatar que são poucos os que têm uma mentalidade voltada para o futuro, quem dirá para planos de longo prazo, como a aposentadoria, por exemplo. O cérebro humano não é treinado para pensar no depois. Somos seres imediatistas mesmo, o que explica bem a nossa forte ligação com frases do tipo: “E se eu morrer amanhã?”; “A vida é agora”; “Não deixe para depois o que você pode fazer hoje”. Ok, pequeno Padawan. Eu mesma sou defensora voraz do aproveitar o agora, o tempo presente, e viver a vida da forma mais plena e intensa que a gente puder. No entanto, isso não quer dizer ignorar o fato de que, muito provavelmente, o amanhã virá pra você. E o depois de amanhã também. A grande questão é: o que você tem feito a respeito? Como é que tem se planejado para ter mais qualidade de vida quando já não tiver tanta saúde e disposição para trabalhar o dia inteiro? De que forma você vem cuidando do seu futuro, tanto financeiramente quanto emocionalmente também?

Eu sei que existem coisas que não voltam mais, momentos que a gente precisa aproveitar agora, com toda a intensidade que a gente puder, para não correr o risco de chegar lá na frente e sentir que apenas passou pela vida, sem, no entanto, ter vivido de verdade. Instantes preciosos com quem a gente ama, oportunidades que não podemos deixar passar, pequenas grandes coisas que já fazem todo sentido pra gente, arrependimentos que não queremos ter daquilo que não fizemos lá atrás.

Mas e quando você esgota toda a sua felicidade no agora? E quando deixa de se comprometer consigo mesmo num futuro que pode estar mais próximo do que você imagina? E quando deixa de pensar no depois só porque é no “agora” que a vida acontece de verdade?

O amanhã está logo ali, dobrando a esquina. E se há inúmeras possibilidades de ser feliz no agora, certamente elas são frutos das sementes que você plantou lá atrás, de tudo o que você construiu, aprendeu, cultivou e semeou num tempo em que a única certeza que você tinha também era o “agora”.

A vida é uma construção. Nossas conquistas não nascem prontas. E chances são que os seus sonhos também não caiam de paraquedas no seu colo, prontos para serem vividos e transformados em realidade como num passe de mágica.

A recompensa de agora é consequência de uma renúncia feita lá atrás, mesmo que de forma inconsciente, mesmo que você já nem se lembre mais.

Muitas das crianças que não comeram o primeiro marshmallow só não o fizeram porque voltaram o foco da atenção para alguma outra coisa que não fosse aquele doce em cima da mesa. O marshmallow deixou de ser o centro de tudo, consegue entender? Se ganhou quem soube esperar, ganhou também quem soube desfocar do problema e buscar por alternativas para resolvê-lo sem ter que ficar sofrendo muito por causa dele.

Como resultado, aprendizado duplo:

  • É onde a gente coloca a nossa atenção que a realidade existe e as coisas florescem.
  • Não adiar uma felicidade é também saber esperar.

Vai um marshmallow aí?

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