O medo do sucesso.

Deixa eu te contar uma história sobre essa foto…

Era 2016 e eu tinha sido convidada para palestrar no primeiro evento ao vivo da AME, a Academia de Mães Empreendedoras, da Melodia Moreno. O tema? Medo.

Além de ser a única palestrante daquele evento que não era mãe, estar diante de uma plateia só de mães e ter que seguir o cronômetro de 30 minutos de palestra, quando tudo o que eu tinha preparado pra falar renderia, no mínimo, uma hora, eu era a própria personificação do tema. Estava morrendo de medo.

Eu me lembro de que subi no palco e, logo de cara, escutei de alguma mãe da plateia: “Como ela é pequenininha”. Foi com carinho, eu sei. Já estou acostumada a essas reações: quem me vê pessoalmente se assusta com a minha altura.

Mas o fato é que, desde pequena (rá, olha a piadinha pronta rs), eu sempre tive uma questão de autoestima muito abalada em função dos meus, hoje, 1,56 m.

Já sofri bullying na escola por causa disso. Já teve professor universitário me olhando torto quando descobriu que eu era uma das palestrantes do evento acadêmico do qual participava. Já escutei de gente “bem-sucedida” que a minha imagem não correspondia ao que se esperava de uma coach de carreira, que era melhor mudar de nicho ou virar blogueira. Juro por Deus.

Naquele dia, em Salvador, fiz uma piada com a minha altura logo no começo da palestra, mas me deu um branco gigante do tema. Eu me lembro de que falei dos meus fracassos, de um curso que eu tinha investido grana pra estruturar e que só teve 2 alunos inscritos, de todas as minhas cagadas e gambiarras como empreendedora, mas pouco falei sobre o que eu tinha aprendido com tudo isso. Sobre o quanto o meu primeiro lançamento orgânico tinha sido muito melhor do que todo mundo pensava. Sobre ter sido resiliente e antifrágil pra não desistir apesar das críticas. Porque, na verdade, o que eu sempre tive medo mesmo era do sucesso.

Medo de dar certo e de não ser boa o suficiente para dar conta de tudo.

Medo de dar certo e de perceberem, no fim das contas, que eu era muito menos do que  achavam que eu era.

Medo de dar certo e de ter que me mostrar mais, aparecer mais, lidar mais com as críticas e os julgamentos dos outros.

Medo de dar certo e de descobrirem que eu era uma fraude completa.

A verdade era esta: eu comprei o discurso da “mignon” e sempre me diminuí. Eu comprei o discurso da “carinha de menina” e sempre tive medo de não conseguir ser reconhecida como autoridade na minha área. Eu comprei o discurso do “não dá pra você ter credibilidade falando sobre carreira com essa sua imagem” e sempre tentei falar sobre zilhões de outras coisas que não fossem carreira. Eu comprei o discurso do “você nunca vai ser bem-sucedida na vida agindo dessa maneira”, na época dos meus vários trancamentos de faculdade, e, por causa disso, nunca tive coragem pra investir em tráfego pago e divulgar o meu conteúdo para mais pessoas, porque eu tinha medo de dar certo.

Medo de dar certo e de ser ridicularizada quando chegasse lá.

Medo de dar certo e de ter que lidar com os grandes players do mercado, que eu sempre julguei serem MUITO melhores, inteligentes, espertos, antenados, confiantes e seguros do que eu.

Medo de dar certo e de ter que lidar com o fato de que a mignon tinha crescido, que já não tinha mais desculpa pra se esconder.

EU TINHA MEDO DO SUCESSO.

Olhando pra essa foto, eu penso no quanto o meu discurso naquele dia seria outro se eu soubesse tudo o que sei agora sobre mim. Se eu realmente tivesse abordado o tema “medo” com toda a minha humanidade.

É claro que eu falaria sobre os meus fracassos, que foram muitos. É claro que eu traria todos os perrengues do bastidor, como eu fiz naquele dia. Mas a diferença estaria na intenção: eu não usaria o medo como muleta para me diminuir uma vez mais, mas, sim, para me empoderar.

Porque o meu grande medo nunca foi o fracasso, mas o sucesso.

Minha Síndrome do Impostor tá aqui o tempo todo gritando: “É com o medo do sucesso que você tem que aprender a lidar”.

E eu sigo aprendendo. E morrendo de medo às vezes. Faz parte.

Só que agora é diferente: eu escolhi lidar com ele. Eu escolhi decolar.

E você? Tem medo de quê?

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