Você não vai encontrar seu propósito.

Eu sei, eu sei. A palavra propósito ganhou o mundo e acabou se transformando num baita de um clichê. E o que é pior: vem sendo usada de qualquer maneira, em qualquer situação, para designar qualquer coisa que esteja alinhada a uma aura de magia, de perfeição, de transcendência, de vida com mais significado.

Mas, afinal de contas, de que propósito estamos falando? E que tal de vida com mais propósito é essa que, na maioria das vezes, parece-nos absolutamente inalcançável? Como encontrar o nosso propósito? Será que todos temos um propósito pra chamar de nosso?

Antes de mais nada, cabe aqui uma diferenciação importante entre o que é o propósito primário e o que é o propósito secundário.

Sim, existem dois propósitos nessa equação já complicada chamada vida, mas, agora, você vai entender direitinho o quanto ela já foi generosa com você, ao te permitir cumprir pelo menos um deles com maestria.

>> O propósito primário

Estou falando do propósito primário. Este, que não tem nenhuma ligação direta com o seu trabalho, a sua carreira, o cargo que você ocupa e o quanto você ganha. Este, que não é uma criação dos homens e que não muda ao longo do tempo, já que consiste, basicamente, no ser e no viver da melhor maneira que a gente puder.

O entendimento por trás do propósito primário é claro: não viemos ao mundo apenas para trabalhar. Há um propósito muito maior para estarmos aqui, algo que transcende (aqui, sim, cabe o uso dessa palavra) o nosso papel social como profissionais, provedores, produtores, trabalhadores e pagadores de boletos desse mundão.

O propósito primário já está sendo cumprido por você. Você já é. Você já vive. Você não está aqui por acaso. Simples assim.

>> O propósito secundário

O que pode estar te atormentando e te fazendo perder o sono e questionar as suas escolhas atuais não tem nada a ver com o seu propósito primário, mas, sim, com o propósito secundário, aquele que foi inventado pelos homens e que está diretamente relacionado ao fazer e ao trabalhar.

A lógica por trás do propósito secundário é esta: “Já que precisamos trabalhar para ser e viver, que seja, pelo menos, um trabalho que faça sentido pra gente”.

Em linhas gerais: que tenha propósito. Principalmente quando levamos em conta o fato de que passamos (e passaremos) grande parte das nossas vidas trabalhando.

Então, é isso: é sobre o propósito secundário que você me pergunta sempre que o assunto é escolha, transição e planejamento de carreira.

É por causa do propósito secundário (ou da falta dele) que você sofre no domingo à noite e acorda ansioso e angustiado nas segundas-feiras.

É o propósito secundário que você tenta “encontrar” por aí, como se fosse um artigo raro que apenas uns poucos sortudos e escolhidos parecem ter.

Mas, veja, a primeira grande verdade sobre ele talvez comece a tirar todas as suas certezas de lugar neste exato momento: você não vai encontrá-lo.

Oi?

Sim! Eu realmente preciso que você entenda que você não vai encontrar o seu propósito. Eu também não vou, aliás. Ninguém vai. E sabe por quê?

Porque propósito a gente não encontra, a gente escolhe e constrói.

Isso mesmo que você leu.

Propósito é fruto de escolha e construção, a partir do momento em que alinhamos nossos valores, objetivos, senso de contribuição e essência a um trabalho que faça SENTIDO pra gente.

Sentido.

Quer coisa mais relativa e particular do que essa?

Pessoas atribuem sentidos diferentes às coisas, principalmente porque possuem biologia, cultura, contexto, vivências e um sistema de crenças e valores que podem diferir muito de um indivíduo para o outro.

Logo, se o propósito tem a ver com sentido, há de se aferir que, tal como a palavra que o alicerça, também o propósito é um conceito extremamente relativo e particular.

É por isso que a grande “magia” está em entender que o propósito não tem a ver com o seu trabalho em si, mas, sim, com o sentido que você enxerga nesse trabalho.

Veja: dois profissionais podem exercer a mesma função, num mesmo local, ganhando a mesma coisa, sob a mesma liderança, e, ainda assim, um se sentir extremamente infeliz e desconectado do que está fazendo, enquanto o outro se sente preenchido e satisfeito.

Já parou pra pensar sobre isso?

Propósito é relativo e tem a ver com a SUA visão do trabalho que você faz, de forma que, se você não está enxergando propósito no que você está fazendo, é porque está faltando VOCÊ nesse trabalho.

Você.

E é agora que eu vou te ensinar um método validado que vai te ajudar na construção de um propósito que faça sentido pra você, justamente porque os alicerces dessa construção começam… Adivinha? Por VOCÊ.

O Método VOCÊ

Para que você comece a enxergar sentido no trabalho que você está fazendo, como dito anteriormente, é preciso que você consiga se enxergar nesse trabalho. Muitas vezes, o sentimento da “falta de propósito” no trabalho advém justamente de uma desconexão desse trabalho com quem você realmente é.

Para ficar mais claro, há alguns elementos que precisam ser percebidos por você sempre que o assunto é trabalho. São eles que fazem parte do Método VOCÊ.

V = seus valores inegociáveis; aquilo que é prioridade na sua vida hoje.

O= seus objetivos de vida e carreira; aquilo que você almeja alcançar.

C= a contribuição que você quer dar ao mundo; aquilo que te move.

E = a sua essência; aquilo que envolve seus talentos e paixões.

Se há desalinhamento de valores, objetivos, contribuição e essência no seu trabalho atual, é muito provável que você não consiga enxergar muito propósito nele mesmo, o que vai demandar de você uma pitadinha de coragem para fazer mudanças maiores na sua carreira.

Por outro lado, se apenas um desses elementos está em desarmonia com quem você é, pode ser que pequenas mudanças ou mudanças intermediárias já resolvam o seu problema, mesmo que, em algum momento da trajetória, você sinta que as mudanças feitas até então já não são suficientes e almeje novos caminhos.

Até porque, tais elementos do Método VOCÊ não são estáticos. Nossos valores, nossos objetivos e até a contribuição que queremos dar ao mundo com o nosso trabalho podem mudar ao longo do tempo.

Nossa essência também. Não somos os mesmos que éramos há 10 anos. Não seremos os mesmos daqui a 10 anos.

Eu mudei.

VOCÊ mudou.

Suas paixões, seus interesses…

Seu propósito.

E é por isso que você não vai encontrá-lo, entende?

Você vai escolhê-lo. E construí-lo.

E, enquanto fizer sentido, vai vivê-lo na sua máxima intensidade.

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